domingo, 4 de janeiro de 2015

O despertar das estórias

Lembro-me de uma estória, contada por mamãe,  de uma família que passava muitas necessidades depois da morte da mãe.  A mocinha fazia crochê e vendia para ajudar nas despesas da casa. Escrevendo isto, percebo agora que esta era a sua própria estória. Vovó morreu, quando mamãe era solteira e  vovô precisou fechar a loja de tecidos, com isto as dificuldades começaram. Esta estória sempre vinha nas minhas lembranças de criança despertando em mim o desejo de crescer, estudar e trabalhar para ajudar financeiramente em casa . Éramos 10 irmãos. Meu pai era escrivão e tinha uma pequena farmácia, mamãe era professora leiga. Vivíamos modestamente. Desde pequenina ajudava mamãe nos afazeres domésticos e cuidava dos meus irmãos menores. Às vezes, sentia uma raiva danada quando vinha atrás de mim, varrendo os lugares que eu havia varrido. Porque eu deveria varrer se ela varreria tudo depois? Hoje, sei que ela estava  apenas tentando me ensinar a fazer as coisas corretamente.  


Fotos antigas de Guiricema -Praça Cel. Luís Coutinho - A rua onde mamãe morava  com a casa de vovô - A família de vovô Jorge (foto tirada para ser enviada ao Líbano onde vivia a família dele) - No centro papai e meu irmão mais velho, mamãe e eu, à direita tio Michel e tia Ferraz,  à esquerda tia Elza .

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